Goetia

Goetia

 


ESPELHOS NEGROS

 


Espelhos Negros:

Considerado uma ferramenta de scrying e divinação, o espelho negro provou também ser um instrumento de contato e comunicação com os espíritos e consciências dos mortos.
O espelho negro é feito de algum material próprio como ônix ou mesmo um vidro pintado com alguma tinta negra e reflexiva.
Que os espelhos podem ser portais para o reino dos mortos ou mesmo do inferno não é nenhuma teoria nova.
Os hebreus antigos acreditavam que os espelhos podiam ser entradas para as cavernas de Lilith e suas súcubus.
Mulheres jovens eram portanto desencorajadas a usar espelhos, pois poderiam ser possuídas por essas demônias que as levariam a ter relações sexuais com os homens que dormiam na casa.


Espelho Negro utilizado em Magia


O Espelho Negro é considerado uma ferramenta de magia com a qual os demônios da mente e o estado de auto-transformação podem ser conseguidos através do encantamento de si mesmo e a abertura da imaginação à imagens em seu reflexo.
Em Goetia, o Espelho Negro é usado como uma ferramenta de comunicação entre o espírito preso ou o familiar após o ritual de evocação.
O feiticeiro que convocou o anjo ou Demônio deve contê-lo apropriadamente no vaso e depois de um tempo evocá-lo novamente e usar o Espelho Negro para visualizar sua forma e demais impressões que ele enviar.
Se um espírito goético específico está preso pelo magista como um familiar, então o Espelho Negro é a forma ideal de comunicação.



Alguns tem usado tábuas e métodos de divinação em frente aos espelhos para se comunicar com os espíritos, esta é uma técnica poderosa pois a pessoa essencialmente trás o reino astral/fantasmagórico para o plano físico.

Segundo os especialistas, o espelho negro é usado da seguinte forma:

1. Convocação do Espírito no Círculo de Evocação;
2. Enviar o Espírito para o receptáculo;
3. Usar o espelho para contatar o espírito depois que ele estiver preso.
4. Contactar o espírito antes de dormir para garantir uma comunicação mais detalhada – se tiver coragem.


Conseguindo a primeira comunicação

Uma vez que o espírito tenha sido devidamente ligado ao receptáculo,você pode querer se comunicar ou ter acesso a alguma visão que ele enviar. Tenha em mente que algumas dessas visões podem não ser agradáveis e se sua vontade é fraca você corre risco de se tornar obcecado com sua a força.
Coloque o círculo de novamente no triângulo - Se você fez uma boneca ou um boneco para vincular ao espírito, coloque-o no Triângulo - Este é o ponto de encontro dos espíritos. Queime incenso e deixa umas poucas velas acesas. O ambiente da câmara deve ser adequado para trazer o mundo deles para o nosso.

Ritual de Evocação do Espelho Negro

"Espírito XXXXXXX. eu te despertar do seu receptáculo, do túmulo deescuridão. 
Eu chamo-te espírito XXXXXXX para surgir de tua morada e apresentar-te no reflexo do espelho. 
Apresente-se sob a forma em que é conhecido, envie a mim a tua visão do mundo de sombras e aquilo que eu quero saber. "
O espírito deve aparecer no espelho negro ou você sentirá na câmara escura uma presença e, em seguida, começará a ver as imagens, talvez até mesmo o seu próprio rosto mudando de forma. Depois de ter visualizado o que queria, agradeça ao espírito e termine o rito. Se você dormir logo em seguida, mantenha um registro para anotar as imagens que puderem se manifestar.
 

"Seriam os espelhos somente simples objetos, ou poderiam ser portais para outros mundos e dimensões?"



 
 

Orações sagradas dos 7 planetas

 

A Angelologia na Visão Gnóstica

No livro As Três Montanhas (que se encontra em nossa Área Reservada, gratuitamente), explica o venerável mestre Samael Aun Weor sobre a necessidade de conhecermos e invocarmos os Anjos de Deus:
Todo Cosmo é dirigido, vigiado e animado por séries quase intermináveis de Hierarquias de seres conscientes. Cada um deles tem missão a cumprir e, sejam chamados por um nome ou outro, Dhyan-Chohans, Anjos ou Devas, são mensageiros, tão só no sentido de serem agentes das leis kármicas e cósmicas.
Seus respectivos graus de consciência e de inteligência variam até o infinito e todos eles são homens perfeitos, no sentido mais completo da palavra.
Múltiplos serviços angélicos caracterizam o Amor Divino. Cada Elohim trabalha em sua especialidade.
Nós podemos e devemos apelar à proteção angélica.
——-
No núcleo estelar de todo sol sideral, de todo planeta, de todo satélite lunar, de todo cometa, existe um TEMPLO-CORAÇÃO, que é a morada sagrada de um gênio sideral. Assim, temos todo o Infinito como um sistema de corações.
Por isso, a Astrologia Esotérica vem a ser a religião da luz e do coração.
Cada um de nossos planetas tem seu Reitor Sideral. Esses são os 7 Espíritos Diante do Trono de Deus, como ensina o Apocalipse de São João. Esses são os 7 anjos que repartem entre si o governo do mundo em 7 épocas distintas, pois a história do mundo se resume em 7 épocas.
Os sete planetas são as cordas de uma lira divina onde ressoa com sua mais inefável melodia a Palavra do Criador, do Logos.
Todo sistema solar vem a ser o corpo celeste de um grande Ser, o Logos do sistema solar, o Inefável…
Arcanjo Seu Reinado Chacra
Gabriel Lua Básico
Rafael Mercúrio Prostático
Uriel Vênus Solar
Michael Sol Cardíaco
Samael Marte Laríngeo
Zacariel Júpiter Frontal
Orifiel Saturno Coronário
O sistema solar, visto de longe, se parece com um homem caminhando através do infinito inefável.
Os 7 Espíritos Diante do Trono vêm a ser, digamos, seus ministros e reitores da evolução cósmica deste sistema solar.
Pois bem, vós sabeis que toda roda tem seu eixo e, por isso, compreenderão que no centro de toda massa reside a base do movimento. Somente se pode dominar a massa a partir de seu centro e o centro de toda massa é o Espírito.
Assim afirmamos que em todo centro sideral existe um templo-coração, que é morada do gênio da estrela, sendo precisamente esses gênios celestes os autênticos governadores do infinito, os regentes e os senhores de nossos próprios destinos humanos.
Os astrólogos profanos dirão que, por exemplo, uma quadratura de Saturno com Marte indica uma catástrofe ou que uma oposição de Vênus com Marte, um fracasso amoroso etc. No entanto, esses prognósticos da astrologia profana podem falhar, ainda que os cálculos matemáticos sejam exatos, porque as forças siderais não são forças cegas.
Essas forças são precisamente os raios dos gênios planetários e esses senhores podem modificar todos os acontecimentos humanos, ainda que o horóscopo esteja cheio de quadraturas e oposições, de maneira que a astrologia de aritmética não é exata, porque não se pode ser astrólogo autêntico sem ser Teurgo e Alquimista.
Jâmblico, o grande teurgo, invocava os gênios planetários e os materializava no mundo físico para com eles conversar, sendo por intermédio deles que realizava suas grandes maravilhas.

Características Inefáveis dos Deuses Planetários

Quando o discípulo já está prático na Astroteurgia, os Deuses siderais aceitam-no como leigo e lhe entregam uma túnica de cor cinza e uma vara. Esta é a túnica do Astrólogo esoterista. É a inefável túnica do teurgo; a túnica do autêntico alquimista. Doravante, conforme for progredindo em sua sabedoria, vai recebendo distintos graus.
Ali o discípulo aprenderá a combinar as mais variadas substâncias alquímicas para produzir diferentes acontecimentos nos diversos planos cósmicos.
Ficamos abismados ao contemplar a esses “Meninos Gênios das estrelas” trabalhando nos laboratórios alquimistas de seus templos para provocar os mais diversos acontecimentos no plano físico:
Samael, o obreiro do ferro, trabalhando nas fornalhas de Marte.
Anael, o gênio do amor e da arte, dentro de seu laboratório do amor, na estrela Vênus, parece um menino de 12 anos com seu cabelo loiro e seu rosto corado.
Michael, indescritível e inefável, governando a criação desde o coração do Sol. Quem de vós tem coragem para descer por esse abismo, em cujo fundo palpita a vida do sistema solar?
Rafael, o Gênio de Mercúrio, se parece com um ancião de longa barba e rosto cor de fogo. Tem o tridente dos Átomos Transformativos em sua mão e lá dentro de seu templo, em Mercúrio, assemelha-se a um monarca terrível, fazendo estremecer a Mente Cósmica. Quem ousaria desobedecer suas sagradas ordens?
- E quem é este outro, de branca túnica e capa branca, diante do qual tremem as colunas de anjos e demônios? Olhai-o ali no templo de Júpiter, dando o cetro aos reis e dirigindo a economia dos homens; diante desse gênio tremem os tiranos. Ele é Zakariel, o gênio de Júpiter.
- No centro da pálida Lua está o templo de Gabriel, o pescador; ele dirige a vida dos mares e as lágrimas das mulheres. Quereis aprender a fazer-vos invisíveis? Chamai-o noite após noite para que prepare vosso corpo; tende por Gabriel uma devoção diária. Um corpo físico bem preparado é o instrumento mais extraordinário para o exercício da magia prática. Um corpo bem preparado pode fazer-se invisível. Em um corpo bem preparado não entra bala ou punhal.
- E que diremos agora do Ancião do Céu, o Senhor da Lei, o velhoOrifiel? Ah, Saturno! Tu és a Espada da Justiça que nos alcança desde os céus. Em tua mão está a vida e os bens de todos os humanos.
Escutai-me bem, discípulos, escolhei sempre o planeta com que vais trabalhar.
Marte é guerreiro. Vênus, amoroso. Mercúrio, sábio. Saturno, melancólico e determinado. A Lua, maternal. O Sol, dirigente. Júpiter, senhor dos altos personagens.
Nunca entreis em alguma dessas moradas sem primeiro bater na porta.
Os mago negros invadem as mansões do céu. Os magos brancos primeiro batem na porta. O templo-coração é a porta de entrada de toda estrela. Os intrusos entram como ladrão em casa alheia. Os filhos da luz primeiro pedem permissão ao dono da casa para conhecer sua morada.
O templo-coração de uma estrela é a porta de entrada e de saída da estrela. Na casa de meu Pai há muitas moradas.

Como Realizar uma Prática de Alta Magia com os Anjos Planetários

Sentai-vos em uma cômoda poltrona e fechai os vossos olhos.
Apartai da mente todo pensamento terreno e enfocai o pensamento em vosso Mestre Interno, orando assim:

Oração às Hierarquias Divinas

“Meu Pai, tu que és meu verdadeiro ser, te suplico como todo o meu coração e com toda a minha alma, que penetres no templo-coração da estrela de Vênus para que te prostes aos pés de Uriel e lhe peça o seguinte favor: (suplica-se o favor que se deseja).”
Em seguida, o discípulo, saudando mentalmente o guardião da coluna da direita, dará um profundo suspiro e pronunciará a palavra de passe: Jackin. Em continuação, fará o mesmo com o guardião da coluna da esquerda e pronunciará a palavra de passe: Boaz, isto é, primeiro o suspiro profundo, depois se rogará a seu Mestre Interno, dizendo-lhe: “Senhor, dá agora sete passos para o interior do templo para que faças a súplica, meu Pai, meu Senhor, meu Deus…
Feita a súplica, pede-se, com todo o coração ao Anjo do planeta que se estiver trabalhando, um Coro de Anjos para realizar a obra. (Eles cantando criam.)
Se o Anjo concede vossa petição, o coro de Anjos, que são seus filhos e que moram com ele no templo do núcleo planetário, começará a cantar em linguagem sagrada para fazer o trabalho solicitado. Assim é como o Exército da Voz cria por meio do Verbo.
Qualquer observador profano, se observar o céu nesses instantes, poderá ver o planeta brilhando e resplandecendo de maneira intensificada e rara. O observador ficaria simplesmente espantado ao contemplar o original cintilar do planeta trabalhado nesses instantes.
As Hierarquias Divinas concedem o que pedimos quando o Karma permite. Mas, se a súplica não chegar a ser concedida, então o Anjo mostrará o relógio do Destino e, neste caso, não lhe restará outro remédio que inclinar a cabeça diante do veredicto da lei.
Em seguida, faça a oração do planeta ao qual estiver realizando as práticas de Alta Magia. Por fim, feche os olhos e entre em meditação profunda, com muita concentração e devoção sincera.

Oração da Lua

Arcanjo Gabriel, Reitor de nossa Lua
Treze mil Raios tem o Sol, Treze mil Raios tem a Lua, Treze mil vezes se arrependam nossos Inimigos Ocultos…
Com infinita humildade e grande amor, em nome do terrível Tetragrammaton, eu vos invoco, Seres Inefáveis.
Em nome de Adonai e por Adonai, Adonai, Eye, Eye, Eye, Kadosh, Kadosh, Kadosh, Achim, Achim, Achim, La, La, La, Forte La… Que resplandeceis sempre gloriosos na montanha do Ser, eu vos rogo por misericórdia que me auxilieis agora. Tende piedade de mim que nada valho, que nada sou.
Adonai, Sabaoth, Amathai, Ya, Ya, Ya, Marinat, Abim, Iehia, Criador de tudo o que é e será.
Vos rogo em nome de todos os Elohim que governam a primeira Legião, sob o comando de Orfamiel, pelos 13 mil Raios da Lua e por Gabriel, para que me socorrais agora mesmo. Vinde a nós, por Adonai, o Anjo da Alegria e da Luz. Reconheço que sou tão-só um mísero verme do lodo da terra. Amém…

Oração de Mercúrio

Arcanjo Rafael, Senhor Supremo da Cura, da Medicina Universal e da Mente Cósmica
Vos rogo, Divinos Elohim, em nome do Sagrado Tetragrammaton e pelos nomes inefáveis de Adonai Elohim, Shadai, Shadai, Shadai…
Eye, Eye, Eye, Asamie, Asamie, Asamie…
Em nome dos anjos da segunda legião planetária, sob o governo de Rafael, Senhor de Mercúrio, como também pelo santo nome posto sobre a testa de Aarão…
Ajudai-me, auxiliai-me, concorrei ao meu chamado. Que vosso servo, Hermes Trimegisto, me ajude…
Amém…

Oração de Vênus

Uriel, Arcanjo Sagrado do Planeta Vênus, Senhor do Raio do Amor, das Artes e da Beleza
Vos rogo mui humildemente, divinos Elohim, pelos místicos nomes On, Hey, Heya, Ya, Ye, Adonai, Shadai… acudi ao meu chamado.
Vos suplico auxílio em nome do tetragrammaton e pelo sacro poder dos anjos da terceira legião, governados por Uriel, o Regente de Vênus, a estrela da aurora. Vinde, anael, Vinde, Vinde, reconheço minhas imperfeições, mas vos adoro e vos invoco.
OM Seja Amor… OM Seja Amor… OM Seja Amor…
Amém…

Oração do Sol

Arcanjo Miguel, ou Michael segundo a Cabala, é o Supremo Regente do Sol e de todos os planetas ao seu redor
Sou um infeliz mortal que, plenamente convencido de sua nulidade e miséria, se atreve a invocar aos Leões de Fogo e ao Bendito Michael.
Pelo Tetragrammaton, chamo agora à quarta legião de anjos do Sol, esperando que Michael se compadeça de mim.
Traçar no ar, com o dedo indicador da mão direita o signo do Infinito – ou seja, um Oito deitado, antes de vocalizar os seguintes mantras:
OM-TAT-SAT-TAM-PAM-PAZ… Amém…

Oração de Marte

Samael, Arcanjo da Força de Deus, seu nome significa Vontade Divina. É o Supremo Avatar da Era de Aquárius e Guardião da Gnose contemporânea
Reconheço o que sou, realmente sou um pobre pecador que clama e invoca aos Anjos da Força, mediante os mantras:
Yah, Yah, Yah, He, He, He, Va, Hy, Ha, Va, Va, Va, An, An, An, Aie, Aie, Aie, Ecl, Ai, Elohim, Elohim, Tetragrammaton.
Eu vos invoco em nome do Elohim Guibor e pelo Regente do planeta Marte, Samael, concorrei ao meu chamado.
Que a quinta legião do planeta Marte me assista em nome do Venerável Anjo Acimoy.
Amém…

Oração de Júpiter

Zakariel, Arcanjo e Senhor da Bondade, da Abundância e da Justiça
Sem orgulho, reconheço que nada valho, que nada sou e que só meu Deus tem o Poder, a Sabedoria e o Amor.
Vos suplico, Devas Inefáveis, pelos nomes sagrados Kadosh, Kadosh, Kadosh, Eschereie, Eschereie, Eschereie, Hatim, Hatim, Hatim, Yah, o Confirmador dos Séculos, Cantime, Jaym, Janic, Anie, Caibar, Sabaoth, Betifai, Alnaim, e em nome de Elohim e do Tetragrammaton.
Pelo divino Zakariel, que governa o planeta Júpiter e a sexta legião de anjos cósmicos, concorrei ao meu chamado. Vos suplico, seres inefáveis, assisti-me neste trabalho. Vos rogo pelo terrível Tetragrammaton, auxiliai-me aqui e agora.
Amén…

Oração de Saturno

Orifiel, Senhor Supremo da Vida e da Morte, Chefe de infinitas Legiões de Anjos da Morte
Reconhecendo minha tremenda nulidade e miséria interior, com inteira humildade…
Cashiel, Machatori, Sarakiel, concorrei ao meu chamado. Vos suplico em nome do Santo e Misterioso Tetragrammaton, vinde até aqui.
Escutai-me, por Adonai, Adonai, Adonai, Eye, Eye, Eye, Acim, Acim, Acim, Kadosh, Kadosh, Kadosh, Ima, Ima, Ima, shadai… Yo-Sar, Senhor Orifiel, Regente do planeta Saturno, chefe da sétima legião de anjos inefáveis.
Vinde, seres inefáveis de Saturno. Vinde em nome de Orifiel e do poderoso Elohim Cashiel. Vos chamo pedindo auxílio em nome do Anjo Booel, pelo astro Saturno e por seus santos selos.
Amém…

Observações Complementares

A Paciência e a Serenidade nas práticas da Alta Magia (ou Teurgia) são de fundamental importância. Há que se realizar as práticas, as orações, as mentalizações etc. com suma paciência, tomando consciência de que o Tempo Divino é diferente do tempo cronológico humano são diferentes radicalmente. Portanto, lembre-se: Pedir a Deus e aguardar com infinita paciência que o pedido se concretize na hora certa.
Caso o praticante da Alta Magia deseje, pode colocar sobre seu peito (caso esteja deitado) ou em seu Altar, o Quadrado Mágico correspondente ao planeta a ser trabalhado.

 
 

 


 

 
Os Sete Pecados
 
 
 
Levando-se em conta o caráter simbólico de seus elementos, o ritual goético pode ser simplificado ao extremo, tornando-se uma forma de meditação voltada para a integração dos conteúdos que compõem a sombra.
 
O primeiro passo é identificar esses conteúdos. Você pode preferir trabalhar com os próprios demônios goéticos que, afinal, em última análise, são uma personificação das tendências sombrias da psique. Se optar por essa alternativa, vai encontrar uma descrição pormenorizada dessas entidades em qualquer edição da Clavícula de Salomão (no início do post, dei o link de uma). Eu, porém, não recomendo essa abordagem. Embora sejam uma representação arquetípica, os demônios da Goécia são também clichês elaborados em um contexto - o do cristianismo medieval - que tem pouca ou nenhuma relevância para a psique contemporânea. E apesar do núcleo da sombra ser constituído de partes arquetípicas, ela é também uma montagem altamente individualizada de impulsos reprimidos e traços negativos da sua personalidade. Ou seja, todo mundo tem uma sombra, mas a sombra não é igual para todo mundo. Por esse motivo, é preferível dar espaço para que seus demônios pessoais se revelem sob uma forma igualmente pessoal, em vez de tentar encaixá-los na marra em uma representação coletiva.
 
Normalmente, as partes da sombra podem ser identificadas através de suas manifestações emocionais. São emoções que se apoderam subitamente da consciência sem causa aparente ou com uma intensidade desproporcional a sua pretensa causa. Por exemplo, ataques de raiva cega ou destrutiva, sentimentos de opressão ou depressão não motivados (pelo menos, não inteiramente) pelas circunstâncias externas, inveja ou ciúme patológicos, etc.
 
Antes de proceder ao trabalho goético propriamente dito, é preciso mapear esses sentimentos. Uma forma simples de fazer isso é manter um registro escrito no qual se anota escrupulosamente todos os sentimentos que se quer trabalhar. Se preferir, você pode dar um nome a esses sentimentos (por exemplo, o Demônio da Raiva ou o Espírito da Depressão). Personalizar os conteúdos da sombra facilita a etapa seguinte, que é evocar sistematicamente seus demônios, com o objetivo de exorcizá-los.
 
 
Exorcismo da sombra
 
Exorcizar os demônios, ao contrário do que o filme de William Friedkin e séculos de tradição católica dão a entender, não significa expulsá-lo. Isso seria o equivalente teológico da repressão e eles já estão mais do que reprimidos, obrigado. É por isso, aliás, que se tornaram destrutivos.
 
A palavra exorcismo vem do grego exos, exterior, e significa simplesmente trazer para fora o que estava oculto. Exorcizar um demônio significa apenas expor à luz da consciência um conteúdo que se encontrava reprimido no inconsciente.
 
Para isso, primeiro visualize a si mesmo no interior de um círculo de proteção ou visualize um círculo de proteção ao seu redor. Se achar necessário, pode traçar o círculo fisicamente, com giz ou que o valha, mas mentalizar um círculo de luz branca ao seu redor é o suficiente. Procure ver o círculo com a máxima nitidez possível. Sinta a proteção que ele oferece, isolando-o de todas as influências negativas, inclusive e sobretudo das forças que você vai evocar.
 
Em seguida, imagine um triângulo em frente a você, mas fora do perímetro do círculo. Ele corresponde ao triângulo da manifestação da Goécia clássica. Eu o vejo como um triângulo de luz vermelha, provavelmente porque a emoção característica da minha sombra é a raiva, mas a cor não é de fato importante. O essencial é imaginá-lo com nitidez e, de novo, se quiser, pode desenhar um triangulo concreto diante de seu círculo.
 
O passo seguinte é vivenciar a emoção que vai ser trabalhada. O momento ideal para isso seria quando ela surge espontaneamente, mas na maior parte das vezes isso é muito difícil, beirando o impossível. Um dos traços mais marcantes das emoções da sombra é seu caráter compulsivo e, no calor da emoção, não se pode censurá-lo por não conseguir parar para visualizar o círculo e o triângulo.
 
 
Evocando os Demônios Pessoais
 
Em vez disso, depois de confortavelmente instalado em seu círculo, defronte o triângulo da manifestação, procure se lembrar das ocasiões em que você experimentou a emoção da sombra. Escolha apenas uma emoção de cada vez, ou será impossível lidar com a horda de demônios que vai irromper pelas janelas da mente.
 
Tente se lembrar não das circunstâncias externas, que são irrelevantes, mas das sensações que você teve quando a sombra irrompeu. Trate de evocar nos mínimos detalhes como você se sentiu nessas ocasiões.
Quando perceber que conseguiu estabelecer contato com a emoção, visualize-a fluindo de você para o triângulo da manifestação, onde ela se acumula como uma massa luminosa de intensidade crescente. Depois de algum tempo, essa massa vai se coagular e assumir uma forma concreta. Pode ser uma pessoa, um animal ou um objeto. Não tente antecipar ou impor uma forma, deixe que o processo seja espontâneo.
No entanto, caso ela surja sob o aspecto de uma pessoa real, de carne e osso, peça-lhe para adotar outra forma. Isso significa que você tende a projetar a emoção em questão sobre a pessoa que apareceu, e confundir as duas só vai trazer dor-de-cabeça para você e para a pessoa. Jung dizia que praticar qualquer espécie de imaginação ativa sobre a imagem de uma pessoa real é magia negra, e ele tinha toda a razão quanto a isso.
 
Pode ser que a imagem demore um pouco para se estabilizar, adotando várias formas seguidas, como se o conteúdo estivesse decidindo qual é a mais adequada. Mas, uma vez estabilizada, ela é o seu demônio. E está pronto para ser confrontado.
 
 
Agora eu tenho sua Atenção
 
Uma questão importante antes de sair evocando os espíritos goéticos é: o que fazer quando eles aparecem? Você está escancarando os porões do inconsciente para dar passagem a seus piores demônios. Agora que eles estão plantados diante de você, como lidar com esses visitantes infernais?
 
Os magos medievais e renascentistas que usavam a Goécia não tinham grandes problemas com isso. Como eles trabalhavam com um sistema de crenças objetivo, a integração dessas forças à consciência não se colocava. Suas finalidades eram práticas até o talo: queriam conhecimento, poder ou diversão, e ponto final. Quando os espíritos goéticos surgiam, eles os botavam pra trabalhar. Depois, se tivessem cumprido sua tarefa a contento, recebiam uma licença para partir e tornavam a mergulhar nos porões sulfúreos do inconsciente, autônomos e não-integrados. Ou, se o mago não tivesse cumprido sua tarefa a contento, invadiam o círculo de proteção e se apossavam de sua alma (um fenômeno que a psicologia analítica conhece como inflação do ego e ao qual os psicólogos junguianos se referem como possessão do ego por um conteúdo do inconsciente).
 
Não admira que a Goécia tenha adquirido uma reputação tão ruim, não só entre os leigos, mas entre os próprios adeptos. Sempre que questionados sobre as operações goéticas, os membros da Golden Dawn saíam pela tangente, e davam a mesma resposta do Jesus de South Park: "Meu filho, eu não tocaria nisso nem com uma vara de dois metros." E isso a despeito de ter sido McGregor Mathers quem traduziu a Clavícula de Salomão para o inglês.
 
No entanto, é preciso tocar nisso, com ou sem uma vara de dois metros.
 
 
 
Psicologia do Ego
 
A resposta do necromante clássico é obviamente insatisfatória. Usar nossos demônios para atender desejos pessoais é colocar essas forças a serviço do ego. Seu equivalente contemporâneo poderia ser a ego psychology, que pretende drenar o inconsciente para criar um ego forte, plenamente adaptado ao princípio da realidade e capaz de submeter os "caprichos" do inconsciente ao domínio imperioso de sua vontade (que não deve ser confundida com a Verdadeira Vontade de Crowley e da Thelema).
Isso é o oposto da integração.
 
Os espíritos goéticos devem ser integrados à consciência, e não ao ego, e enquanto essa distinção não for compreendida, não importa o rótulo que se empregue, estaremos praticando magia negra da pior espécie.
O que fazer?, perguntaria o camarada Lênin, confiando seu cavanhaque com o olhar perdido no vazio.
 
O que fazer?
 
 
Diálogo com a Sombra
 
Os espíritas diriam que é preciso doutrinar os espíritos, isto é, esclarecê-los quanto à verdadeira doutrina de Kardec, tirá-los das trevas da inconsciência e permitir que eles se aperfeiçoem pela prática de obras de caridade.
 
Contenha o sorriso, meu caro leitor cínico.
 
Eles estão certos.
 
Não da maneira que eles pensam, evidentemente. Os espíritas pecam por uma certa ingenuidade e uma compreensão literal das coisas - daí acreditarem piamente que existem linhas de ônibus em Nosso Lar - mas, talvez até por causa de sua inocência, descobriram um princípio importante.
Os espíritos são tirados do inconsciente através do diálogo.
 
Os espíritos são integrados à consciência estabelecendo-se uma conexão entre eles e alguma coisa maior que o ego.
 
 
Além do Ego
 
Esse eixo de referência maior que o ego é, evidentemente, o Self - ou o SAGA, se você preferir o vocabulário mágico.
 
É isso que significa o círculo mágico de proteção. O círculo é o emblema geométrico do Self, e você vai notar que, na descrição da Clavícula, não é o nome do mago que está escrito em sua periferia, mas os nomes de Deus. Você notará também que mesmo a invocação goética tradicional conclama os espíritos a obedecerem em nome de Deus. É claro que invocar o poder divino para obrigar o espírito a encher seus cofres de ouro é uma traição do ego, mas o ponto não é esse. O ponto é que a força que submete os espíritos se origina de além do ego.
 
Desnecessário dizer, se o mago não tiver estabelecido ele próprio essa conexão entre a consciência e o Self, a evocação goética não passa de palavrório vazio. Pior que isso, é um blefe, porque o mago estará se apoiando em um poder que ele não possui. E um blefe que, com toda a probabilidade, não vai demorar a ser desmascarado, uma vez que, se a consciência não estiver solidamente ancorada no Self, não terá como fazer frente ao fascinium tremendum que emana dos complexos do inconsciente e que é descrito nos tratados tradicionais como a irresistível capacidade de sedução dos espíritos infernais.
 
O resultado disso, numa palavra?
 
Loucura.
 
Foi só porque teve o bom-senso de se amarrar ao mastro do navio que Ulisses pôde resistir ao canto das sereias.
 
É por esse motivo que, segundo Abramelin, o trato com os espíritos infernais vem depois da conversação com o Santo Anjo Guardião. Abramelin vai ainda mais longe e diz que é o próprio SAGA quem ensina o mago a melhor maneira de evocar e controlar os espíritos. E adverte enfaticamente sobre o risco mortal que é a evocação dos espíritos infernais sem a imprescindível retaguarda fornecida pelo SAGA.
 
 
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Ok, este texto não é meu, mas garanto que é uma tremenda de uma leitura!
 
Estou em dúvidas quanto ao seu autor, se é o blog Franco Atirador ou se é Lúcio Manfredi.
 
 

Os Sete Pecados



Levando-se em conta o caráter simbólico de seus elementos, o ritual goético pode ser simplificado ao extremo, tornando-se uma forma de meditação voltada para a integração dos conteúdos que compõem a sombra.

O primeiro passo é identificar esses conteúdos. Você pode preferir trabalhar com os próprios demônios goéticos que, afinal, em última análise, são uma personificação das tendências sombrias da psique. Se optar por essa alternativa, vai encontrar uma descrição pormenorizada dessas entidades em qualquer edição da Clavícula de Salomão (no início do post, dei o link de uma). Eu, porém, não recomendo essa abordagem. Embora sejam uma representação arquetípica, os demônios da Goécia são também clichês elaborados em um contexto - o do cristianismo medieval - que tem pouca ou nenhuma relevância para a psique contemporânea. E apesar do núcleo da sombra ser constituído de partes arquetípicas, ela é também uma montagem altamente individualizada de impulsos reprimidos e traços negativos da sua personalidade. Ou seja, todo mundo tem uma sombra, mas a sombra não é igual para todo mundo. Por esse motivo, é preferível dar espaço para que seus demônios pessoais se revelem sob uma forma igualmente pessoal, em vez de tentar encaixá-los na marra em uma representação coletiva.

Normalmente, as partes da sombra podem ser identificadas através de suas manifestações emocionais. São emoções que se apoderam subitamente da consciência sem causa aparente ou com uma intensidade desproporcional a sua pretensa causa. Por exemplo, ataques de raiva cega ou destrutiva, sentimentos de opressão ou depressão não motivados (pelo menos, não inteiramente) pelas circunstâncias externas, inveja ou ciúme patológicos, etc.

Antes de proceder ao trabalho goético propriamente dito, é preciso mapear esses sentimentos. Uma forma simples de fazer isso é manter um registro escrito no qual se anota escrupulosamente todos os sentimentos que se quer trabalhar. Se preferir, você pode dar um nome a esses sentimentos (por exemplo, o Demônio da Raiva ou o Espírito da Depressão). Personalizar os conteúdos da sombra facilita a etapa seguinte, que é evocar sistematicamente seus demônios, com o objetivo de exorcizá-los.


Exorcismo da sombra

Exorcizar os demônios, ao contrário do que o filme de William Friedkin e séculos de tradição católica dão a entender, não significa expulsá-lo. Isso seria o equivalente teológico da repressão e eles já estão mais do que reprimidos, obrigado. É por isso, aliás, que se tornaram destrutivos.

A palavra exorcismo vem do grego exos, exterior, e significa simplesmente trazer para fora o que estava oculto. Exorcizar um demônio significa apenas expor à luz da consciência um conteúdo que se encontrava reprimido no inconsciente.

Para isso, primeiro visualize a si mesmo no interior de um círculo de proteção ou visualize um círculo de proteção ao seu redor. Se achar necessário, pode traçar o círculo fisicamente, com giz ou que o valha, mas mentalizar um círculo de luz branca ao seu redor é o suficiente. Procure ver o círculo com a máxima nitidez possível. Sinta a proteção que ele oferece, isolando-o de todas as influências negativas, inclusive e sobretudo das forças que você vai evocar.

Em seguida, imagine um triângulo em frente a você, mas fora do perímetro do círculo. Ele corresponde ao triângulo da manifestação da Goécia clássica. Eu o vejo como um triângulo de luz vermelha, provavelmente porque a emoção característica da minha sombra é a raiva, mas a cor não é de fato importante. O essencial é imaginá-lo com nitidez e, de novo, se quiser, pode desenhar um triangulo concreto diante de seu círculo.

O passo seguinte é vivenciar a emoção que vai ser trabalhada. O momento ideal para isso seria quando ela surge espontaneamente, mas na maior parte das vezes isso é muito difícil, beirando o impossível. Um dos traços mais marcantes das emoções da sombra é seu caráter compulsivo e, no calor da emoção, não se pode censurá-lo por não conseguir parar para visualizar o círculo e o triângulo.


Evocando os Demônios Pessoais

Em vez disso, depois de confortavelmente instalado em seu círculo, defronte o triângulo da manifestação, procure se lembrar das ocasiões em que você experimentou a emoção da sombra. Escolha apenas uma emoção de cada vez, ou será impossível lidar com a horda de demônios que vai irromper pelas janelas da mente.

Tente se lembrar não das circunstâncias externas, que são irrelevantes, mas das sensações que você teve quando a sombra irrompeu. Trate de evocar nos mínimos detalhes como você se sentiu nessas ocasiões.
Quando perceber que conseguiu estabelecer contato com a emoção, visualize-a fluindo de você para o triângulo da manifestação, onde ela se acumula como uma massa luminosa de intensidade crescente. Depois de algum tempo, essa massa vai se coagular e assumir uma forma concreta. Pode ser uma pessoa, um animal ou um objeto. Não tente antecipar ou impor uma forma, deixe que o processo seja espontâneo.
No entanto, caso ela surja sob o aspecto de uma pessoa real, de carne e osso, peça-lhe para adotar outra forma. Isso significa que você tende a projetar a emoção em questão sobre a pessoa que apareceu, e confundir as duas só vai trazer dor-de-cabeça para você e para a pessoa. Jung dizia que praticar qualquer espécie de imaginação ativa sobre a imagem de uma pessoa real é magia negra, e ele tinha toda a razão quanto a isso.

Pode ser que a imagem demore um pouco para se estabilizar, adotando várias formas seguidas, como se o conteúdo estivesse decidindo qual é a mais adequada. Mas, uma vez estabilizada, ela é o seu demônio. E está pronto para ser confrontado.


Agora eu tenho sua Atenção

Uma questão importante antes de sair evocando os espíritos goéticos é: o que fazer quando eles aparecem? Você está escancarando os porões do inconsciente para dar passagem a seus piores demônios. Agora que eles estão plantados diante de você, como lidar com esses visitantes infernais?

Os magos medievais e renascentistas que usavam a Goécia não tinham grandes problemas com isso. Como eles trabalhavam com um sistema de crenças objetivo, a integração dessas forças à consciência não se colocava. Suas finalidades eram práticas até o talo: queriam conhecimento, poder ou diversão, e ponto final. Quando os espíritos goéticos surgiam, eles os botavam pra trabalhar. Depois, se tivessem cumprido sua tarefa a contento, recebiam uma licença para partir e tornavam a mergulhar nos porões sulfúreos do inconsciente, autônomos e não-integrados. Ou, se o mago não tivesse cumprido sua tarefa a contento, invadiam o círculo de proteção e se apossavam de sua alma (um fenômeno que a psicologia analítica conhece como inflação do ego e ao qual os psicólogos junguianos se referem como possessão do ego por um conteúdo do inconsciente).

Não admira que a Goécia tenha adquirido uma reputação tão ruim, não só entre os leigos, mas entre os próprios adeptos. Sempre que questionados sobre as operações goéticas, os membros da Golden Dawn saíam pela tangente, e davam a mesma resposta do Jesus de South Park: "Meu filho, eu não tocaria nisso nem com uma vara de dois metros." E isso a despeito de ter sido McGregor Mathers quem traduziu a Clavícula de Salomão para o inglês.

No entanto, é preciso tocar nisso, com ou sem uma vara de dois metros.



Psicologia do Ego

A resposta do necromante clássico é obviamente insatisfatória. Usar nossos demônios para atender desejos pessoais é colocar essas forças a serviço do ego. Seu equivalente contemporâneo poderia ser a ego psychology, que pretende drenar o inconsciente para criar um ego forte, plenamente adaptado ao princípio da realidade e capaz de submeter os "caprichos" do inconsciente ao domínio imperioso de sua vontade (que não deve ser confundida com a Verdadeira Vontade de Crowley e da Thelema).
Isso é o oposto da integração.

Os espíritos goéticos devem ser integrados à consciência, e não ao ego, e enquanto essa distinção não for compreendida, não importa o rótulo que se empregue, estaremos praticando magia negra da pior espécie.
O que fazer?, perguntaria o camarada Lênin, confiando seu cavanhaque com o olhar perdido no vazio.

O que fazer?


Diálogo com a Sombra

Os espíritas diriam que é preciso doutrinar os espíritos, isto é, esclarecê-los quanto à verdadeira doutrina de Kardec, tirá-los das trevas da inconsciência e permitir que eles se aperfeiçoem pela prática de obras de caridade.

Contenha o sorriso, meu caro leitor cínico.

Eles estão certos.

Não da maneira que eles pensam, evidentemente. Os espíritas pecam por uma certa ingenuidade e uma compreensão literal das coisas - daí acreditarem piamente que existem linhas de ônibus em Nosso Lar - mas, talvez até por causa de sua inocência, descobriram um princípio importante.
Os espíritos são tirados do inconsciente através do diálogo.

Os espíritos são integrados à consciência estabelecendo-se uma conexão entre eles e alguma coisa maior que o ego.


Além do Ego

Esse eixo de referência maior que o ego é, evidentemente, o Self - ou o SAGA, se você preferir o vocabulário mágico.

É isso que significa o círculo mágico de proteção. O círculo é o emblema geométrico do Self, e você vai notar que, na descrição da Clavícula, não é o nome do mago que está escrito em sua periferia, mas os nomes de Deus. Você notará também que mesmo a invocação goética tradicional conclama os espíritos a obedecerem em nome de Deus. É claro que invocar o poder divino para obrigar o espírito a encher seus cofres de ouro é uma traição do ego, mas o ponto não é esse. O ponto é que a força que submete os espíritos se origina de além do ego.

Desnecessário dizer, se o mago não tiver estabelecido ele próprio essa conexão entre a consciência e o Self, a evocação goética não passa de palavrório vazio. Pior que isso, é um blefe, porque o mago estará se apoiando em um poder que ele não possui. E um blefe que, com toda a probabilidade, não vai demorar a ser desmascarado, uma vez que, se a consciência não estiver solidamente ancorada no Self, não terá como fazer frente ao fascinium tremendum que emana dos complexos do inconsciente e que é descrito nos tratados tradicionais como a irresistível capacidade de sedução dos espíritos infernais.

O resultado disso, numa palavra?

Loucura.

Foi só porque teve o bom-senso de se amarrar ao mastro do navio que Ulisses pôde resistir ao canto das sereias.

É por esse motivo que, segundo Abramelin, o trato com os espíritos infernais vem depois da conversação com o Santo Anjo Guardião. Abramelin vai ainda mais longe e diz que é o próprio SAGA quem ensina o mago a melhor maneira de evocar e controlar os espíritos. E adverte enfaticamente sobre o risco mortal que é a evocação dos espíritos infernais sem a imprescindível retaguarda fornecida pelo SAGA.
 

Ok, este texto não é meu, mas garanto que é uma tremenda de uma leitura!
 
Estou em dúvidas quanto ao seu autor, se é o blog Franco Atirador ou se é Lúcio Manfredi.

O Sabá dos Magos Negros

 
 
 
 
 
O Sabá (do hebraico shabbath, que significa sétimo dia) ou Aquelarre foi a prática mais sensacional e conhecida da Idade Média. Era o encontro dos bruxos com os demônios.

Sabá, nome vindo de Sabásio, segunda denominação de Baco (deus do vinho e do prazer), constitui o elo entre o velho rito pagão dos bruxos e o ritual anticristão, no qual Satanás é divinizado e adorado com ritos e cerimônias cristãs pervertidas.

Terá existido realmente o Sabá?

A realidade do Sabá enquanto reunião ritual é indiscutível. Que tenha sido realizado na França, na Alemanha, na Itália, na noite de São Martinho ou de Santa Valpúrgia, que o Bode Negro (Bode de Mendes) tenha o nome de Mestre Leonardo ou Belzebu, o Sabá foi celebrado durante toda a Idade Média.

Contudo, o Sabá ficou sendo conhecido como tal somente a partir de 1510, quando Bernard de Como e Bartolommeo Spina o denunciaram explicitamente entre os crimes contra a Igreja.

O Sabá, no princípio, era uma reunião de subversivos, cujas teses e ideologias conflitavam com as da Igreja. Era uma revolta dos servos, dos camponeses contra o Deus do padre e do senhor.

Era celebrado, geralmente, no campo perto de algum bosque ou de um lago. Raras vezes durante o dia. O pequeno Sabá desenrolava-se duas vezes por semana e o grande Sabá quatro vezes por ano, nas mudanças de estações.

 
O Chefe dos Bruxos dirigia a cerimônia. Antes do festim orgíaco, realizava-se uma complexa série de ritos mágicos, que se completavam com a renúncia pública ao batismo cristão e com o juramento de obediência a Satanás, pisando a cruz de Cristo, como ato simbólico de repulsa.

O Sabá continuava a tradição orgiástica da antiguidade pagã. Contudo, enquanto os ritos sexuais da Antiguidade estavam destinados a representar a fertilidade da natureza e não tinham um fim em si mesmos, as orgias medievais constituíram, na realidade, válvulas de escape para a satisfação de desejos carnais frustrados ou reprimidos por exagerados e severíssimos conceitos religiosos da época, parte do aparato repressivo que congregava o Estado Monárquico e a Igreja.

Aliás, a liberdade de expressão sempre esteve vinculada à liberdade sexual. Onde se reprime a liberdade de expressão também se reprime a liberdade sexual.

Nos Sabás, os participantes podiam dar vazão aos seus instintos. Por outro lado, eles eram respeitados e temidos por seus vizinhos, o que, na opressão e monotonia medievais, lhes dava dignidade e sensação de serem livres.

Ninguém naquela época podia imaginar que uma personalidade psicopática, frustrada, fosse arriscar-se a ser morta em um momento de fama. Era comum, nas comarcas medievais, a existência de velhas mulheres melancólicas, que viviam solitariamente afastadas do resto da comunidade, em miseráveis choupanas, no mais profundo dos bosques.

Quando se espalhou a crença no culto demoníaco, qualquer tragédia, que assolasse a aldeia, era imediatamente atribuída a essas pessoas, no geral antipáticas e anti-sociais.

Por sua vez, as velhas senhoras, convertidas em adoradoras do diabo, achavam interessante reconhecer suas relações sexuais com Satanás, o que lhes permitia realizar, em fantasia, seus desejos reprimidos. Além disso, esse relacionamento satânico as fazia, transitoriamente, temidas pelo povo e até mesmo invejadas por muitos.
Acrescentem-se a ignorância dos fenômenos histéricos, as sugestões, as alucinações e, principalmente, fatos estranhos e inexplicáveis, assustadores e fantásticos, que só encontraram explicação em nosso século com a Parapsicologia, ensaiada pela Metapsíquica do século passado.

A Telepatia (emissão do pensamento através de ondas não identificadas; desconhece-se o emissor e o receptor biológico e sua localização na mente; sabe-se ter relação com as ondas cerebrais emitidas: ondas altas, quando em vigília, e ondas betas, quando em transição da vigília para o sono) e a Telergia (energia física exteriorizada do corpo humano por mecanismos e origem ainda não determinados e de um controle pessoal para execução do fenômeno parcialmente involuntário. Foi medida em laboratórios científicos, e pode produzir ruídos, luzes, combustão; quando condensada forma o ectoplasma, podendo moldar figuras simples e tênues) ainda não eram conhecidas.

Muitos indivíduos eram doentes, com a conduta alterada, outros simples alucinados, que imaginavam cenas fantásticas produzidas por drogas químicas, que conhecemos hoje os efeitos. Para irem aos Sabás, esses indivíduos lambuzavam-se ou ingeriam uma mistura composta de beladona, meimendro, estramônio, mandrágora, nepenta, acóbito, cicuta, ópio e cantáridas, o que lhes favorecia as proezas eróticas.

A pomada “satânica” era introduzida no corpo por meio de violentas fricções sobre a pele, através da qual as substâncias narcóticas se misturavam com a corrente sangüínea, e assim produziam fantasias eróticas e lhes dava a sensação semelhante à do vôo no espaço.

Sabe-se hoje que o pão de centeio era consumido em grande quantidade na Idade Média. Um parasita deste cereal, o esporão, possui um alcalóide, que em determinadas doses é mortal e em quantidades menores provoca alucinações: a ergotina, que cria, ao longo do tempo, nos indivíduos um dom de segunda visão, assim como uma mediunidade que explica a freqüência de fenômenos paranormais naquele período histórico.

A planta mais usada nos Sabás era a mandrágora. Esta planta possui uma substância venenosa, a escopolamina, que ministrada em doses muito pequenas produz um efeito paralisante do sistema nervoso central e gera alucinações do tipo mágico, juntamente com uma perda progressiva de

Tudo isso criava o clima mágico-erótico para o Sabá.

Hoje, já não se pratica o Sabá, mas uma parte de seu cerimonial permaneceu em certos círculos satanistas. A Missa Negra é um exemplo disso.

A Missa Negra é a Missa Católica deturpada com o propósito de aviltar a imagem de Deus.

Na Missa Negra, o missal católico é lido de trás para diante em latim ou, com maior freqüência, com certas partes excluídas, e com substituição de palavras, tais como “Satanás” em lugar de “Deus” e “mal” em lugar de “bem”. O altar tanto pode ser uma mulher nua ou um caixão de defunto, e todos os acessórios religiosos, incluindo a câmara do ritual, são de cor negra. Os sacerdotes usam mantos negros com capuz. Com freqüência é feita uma substituição do vinho consagrado por esperma, sangue menstrual ou urina humana. A hóstia é geralmente um sacramento sagrado que foi roubado de alguma igreja, mas muitas vezes é feita com alguma substância estranha, tal como fezes secas, sangue, cinzas de animais, e pode ser tanto ingerida como esfregada no rosto dos presentes.

O valor desses materiais sacramentais está em serem produtos corporais, que são opostos aos espíritos e, como tal, são agradáveis a Satanás, que é uma divindade carnal.

A mulher reina na Missa Negra porque ela é quem possui o poder de receber a vontade demoníaca. O centro do rito é efetivamente constituído por uma mulher nua estendida sobre o altar, desempenhando o seu corpo essa função: a posição por vezes indicada – pernas afastadas, de forma a mostrar o sexo (os sacrum, a boca sagrada) – é a mesma que se encontra representada por várias antigas divindades femininas mediterrâneas.

Através da Missa Negra pode-se agir sobre o cotidiano dos homens, enviando as forças do medo e da destruição, como fazem, atualmente, as seitas luciferinas.

Estas seitas, independentemente das suas diferenças ritualistas, esperam a vinda de Lúcifer, o Portador da Luz, na era de Aquário (a Idade de Cristal). Algumas delas chegaram ao ponto de se infiltrar em grupos políticos extremistas com a intenção de provocarem uma subversão oculta.