Ortodoxia (Religião)

Ortodoxia (Religião)

Ortodoxia pode designar os seguintes grupos de Igrejas:

  • as Igrejas não-Calcedonianas (a Ortodoxia Orientalnota 1 ),1 que são aquelas Igrejas orientais que só aceitam os 3 primeiros concílios ecuménicos;
  • Igreja Ortodoxa (por vezes também chamada de Igreja Ortodoxa Oriental), que apareceu séculos mais tarde (no Grande Cisma do Oriente) do que as Igrejas não-calcedonianas (sendo por isso diferentes) e que aceita os sete primeiros concílios ecuménicos;2
  • as Igrejas autodenominadas ortodoxas, mas que não estão em comunhão plena com a Igreja Ortodoxa e, mais concretamente, com oPatriarca Ecuménico de Constantinopla (ex: Igreja Ortodoxa Montenegrina).
  • Igreja Ortodoxa

    Chama-se Igreja Ortodoxa o grupo de Igrejas orientais que aceitam somente os primeiros sete Concílios Ecumênicos.

    No século III Constantino I, primeiro Imperador de Roma a aceitar o cristianismo como religião oficial do Império Romano, reuniu no ano 325 na cidade de Niceia o primeiro concílio ecuménico, que ficou conhecido como Primeiro Concílio de Niceia, onde supostamente se definiu aDivindade de Jesus Cristo.

    A Igreja Cristã era, naquela altura, dividida em cinco patriarcados tradicionais, apostólicos:

    • Patriarcado de Roma ou do Ocidente;
    • Patriarcado de Constantinopla;
    • Patriarcado de Alexandria;
    • Patriarcado de Antioquia;
    • Patriarca de Jerusalém;

    Ainda foram feitos mais seis concílios antes do cisma ente as Igrejas Ortodoxas e a Igreja Católica. São eles:

    • Constantinopla I (381) - Divindade do Espírito Santo. Condenação de Macedónio I de Constantinopla. Divisão das Pentarquias.
    • Éfeso (431) - Maternidade Divina de Maria. Condenação de Nestório. Em Cristo uma Hipóstase, a Divina.
    • Calcedónia (451) - Dualidade da natureza em Jesus Cristo: Condenação de Eutiques, que ensinava o monofisismo.
    • Constantinopla II (553) - Condenou as obras escritas pelos seguidores do herege Nestório
    • Constantinopla III (680) - Dualidade de Vontades em Jesus Cristo, não contrariadas uma pela outra, mas a vontade humana sujeita à vontade Divina. Condenação do Monotelismo.
    • Niceia II (787) - Condenação do Iconoclasmo.
    • O Cisma

      A Igreja, espalhada no conjunto da bacia mediterrânica e organizada em redor dos seus cinco patriarcados (RomaConstantinoplaAlexandriaAntioquia e Jerusalém), soube guardar no princípio a sua unidade global, (seguramente, largos seguidores da parte oriental da Igreja desligaram-se dela após o Concílio de Calcedónia - as chamadas Igrejas não-calcedonianasda Arméniada Etiópiado Egipto e da Síria). Esta unidade torna-se mais aleatória depois da queda do Império Romano do Ocidente.

      As divergências culturais, o uso do latim no Ocidente e do grego no Oriente bem depressa cederam o passo às divergências de ordem político-religiosa que resultaram da separação do mundo mediterrânico em entidades políticas distintas. A instabilidade merovíngia no Ocidente que, por muitas vezes, fez do Papa o único elemento estável, reforça a autoridade jurídica do primaz romano, o qual anteriormente desfrutava apenas de uma primazia de honra.

      Ao longo do tempo, as divergências entre os cristãos ocidentais e orientais foram-se tornando cada vez mais nítidas e acentuadas, até que, em 1054, se deu o Grande Cisma do Oriente, em que a Igreja Ortodoxa (do Oriente) se separou oficialmente da Igreja Católica (do Ocidente). Apesar de depois ocorrer várias aproximações e tentativas de reconciliação, esta ruptura foi ainda mais aprofundada com o saque de Constantinopla (1204) durante a Quarta Cruzada e com a queda do Império Bizantino (1453) nas mãos dos turcos otomanos.

      Doutrina

      Igreja Ortodoxa crê na Trindade, na natureza humana e divina de Jesus Cristo, que veio para perfeicionar o ser humano. "Deus tornou-se homem, para que o homem torne-se Deus". Pecado não é visto como violar uma lista de regras, mas o estado não atingir o objetivo de aproximação de Deus, assim não crê que o pecado original transmitiu a culpa de Adão para seus descendentes, mas somente as consequências. A salvação é vista como um processo, como uma cura.

      Maria nasceu sob a égide do pecado original (conforme a concepção ortodoxa e não a ocidental), mas viveu uma vida santa. Ela é considerada a Theotokos, aquela que portou Deus em si, rejeitando a tradução latina de "Mater Dei" preferindo "Deipara" ou "Dei genetrix" que são mais acurados.

      A divina liturgia é solene e bela, possui um papel importante. Segue os ritos bizantino, antioqueno, alexandrino e o antigo rito de Jerusalém em algumas ocasiões especiais.

      A Igreja Ortodoxa é governada tendo Jesus Cristo como o supremo primaz, que atua através do Espírito Santo através do conceito de "sobornost".

      O uso do termo "católica"

      Placa na entrada da Igreja Ortodoxa Antioquina São Jorge de Curitiba
       Muitas Igrejas Ortodoxas adotam o título de Católica como parte de seus nomes. Esse uso não indica alinhamento com a Igreja Católica Apostólica Romana sediada no Vaticano, sendo uma referência ao sentido original da palavra, que significa Universal.