MOXABUSTÃO: A CURA PELO FOGO

MOXABUSTÃO: A CURA PELO FOGO

MOXABUSTÃO: A CURA PELO FOGO

Ainda pouco conhecida no Ocidente, a moxabustão, técnica que se utiliza do fogo para ativar pontos energéticos, pode ser tão eficiente quanto os outros métodos da medicina chinesa

 

Texto • Kelly Carvalho
 


 

A dona de casa Giovanna Casaletti Braghetta não tinha ideia de que se submeteria à técnica de moxabustão quando procurou uma clínica para tratar de uma lombalgia. Orientada por um especialista, Giovanna intercalou sessões de acupuntura e de moxabustão. “A sensação foi relaxante”, descreve. Ela desconhecia o método, assim como grande parte dos pacientes brasileiros que procuram algum tipo de cura na medicina tradicional chinesa. Apesar de menos popular por aqui, a técnica é tão ou mais antiga que a acupuntura tradicional e consiste num tratamento em que pontos, zonas e meridianos são estimulados por calor em vez de por agulhas. Por isso, é conhecida também como acupuntura térmica.

Assim como a acupuntura, a técnica de moxabustão nasceu na China e evoluiu em diversas regiões orientais, principalmente naquelas terras de baixas temperaturas, onde o frio, o vento e a umidade são importantes agentes causadores de doenças. “Quando o terapeuta faz um bom diagnóstico e sabe que a patologia é causada pelo frio, a moxa torna-se mais eficiente que a acupuntura”, explica o médico Takashi Jojima, vice-presidente da Associação Médica Brasileira de Acupuntura (AMBA) e sócio da clínica Ortomédica.

Segundo especialistas, a moxa também é um tratamento alternativo para quem foge das agulhas utilizadas na acupuntura. Desde que não queime a pele, a aplicação é indolor. “Por essa razão, a técnica também é muito indicada para crianças”, diz o médico acupunturista Lo Sz Hsien, professor da técnica de moxabustão, diretor da AMBA e do Instituto Tacheng de Ciência e Cultura Chinesa.

Atualmente existem vários tipos de materiais de aplicação tais como o carvão, com a vantagem de não exalar cheiro nem fumaça, ou a moxa elétrica, um instrumento que emite calor. Mas, sem dúvida, o principal elemento utilizado atualmente para a terapia é a planta artemísia. Sua parte fibrosa, depois de seca, assemelha-se a um chumaço de algodão e é adaptada a vários formatos para facilitar a aplicação. A moxa devidamente preparada com a artemísia é queimada e aproximada da pele para aquecer o ponto a ser desbloqueado. Além de não pegar fogo quando acesa, evitando que as cinzas caiam sobre a pele do paciente, a planta emana substâncias com capacidade medicamentosa.

 

Indicações


 

A moxabustão é indicada para muitos casos, tais como resfriado, bronquite, gastrite, anorexia, impotência, dor ciática, artrite reumatóide, amenorreia, dismenorreia, rinite, neurodermites e depressão. O dr. Jojima explica que, em geral, a moxabustão é o tratamento escolhido para o estímulo dos pontos shu dorsais a fim de aumentar a energia jing, um tipo de energia fundamental para a manutenção da vida e que é dividida em anatômica, funcional e espiritual. “O jing anatômico controla a estrutura material do corpo, como osso, medula e cérebro, o funcional controla a estrutura sensorial, como a audição, e o espiritual controla a estrutura mental, por exemplo, a vontade”, explica.

A contraindicação mais importante está relacionada aos pontos da aplicação. Deve-se evitar a moxabustão sobre grandes vasos sanguíneos e em algumas partes do corpo, como a face, o couro cabeludo ou próximo aos genitais ou mamilos. “Existem pontos de acupuntura onde o calor não deve ser aplicado, bem como nos pacientes que apresentam alterações energéticas importantes do tipo excesso de Yang e vazio de Yin”, alerta Jojima. “A técnica também não é usada nos tratamentos de doenças Yang, como febre, inflamações agudas causadas por bactérias e vírus, dores de cabeça, lesões na pele e problemas de ordem psíquica”, acrescenta o professor Helder Carvalho, do Instituto de Yoga e Terapias Aurora. 

Cada caso, um caso

Em geral, cada sessão dura de 40 minutos a uma hora e o preço varia de 60 a 100 reais. Alguns planos de saúde cobrem o tratamento. E sua duração depende muito do paciente: há casos em que apenas duas sessões são o suficiente; para outros, pode levar meses. Há pessoas, ainda, que a utilizam pelo resto da vida – principalmente quem opta pela técnica de forma preventiva, já que a moxa tem a capacidade de tonificar, estimular os pontos e melhorar a imunidade.

Quem define o tempo de tratamento, bem como se a técnica é a mais adequada para o paciente, é um profissional especializado, a partir do diagnóstico da doença. A moxa pode ser utilizada isoladamente ou associada à acupuntura e a outros métodos da medicina tradicional chinesa. Na prática, a moxabustão pode ser aplicada por qualquer profissional conhecedor da técnica, que não é regulamentada. Mas é comum o método ser utilizado por acupunturistas, não só porque a acupuntura é reconhecida como especialidade médica desde 1995, mas também porque o tratamento de moxabustão pode ser combinado com ela. O doutor Lo Sz Hsien, por exemplo, raramente trata um paciente somente pelo método de moxabustão. “Cientificamente está comprovado que o estímulo cerebral pela acupuntura é melhor, por isso a moxa é complementar ao tratamento, mas não o elemento principal”, afirma. Nos casos em que não há uma orientação médica no local onde o paciente pretende submeter-se à técnica com a moxa, é recomendável que busque primeiro um diagnóstico médico de seu problema.

Terapia quente


 

Os formatos mais comuns do material preparado com a planta artemísia são em cone ou bastão. Geralmente importados, os bastões podem ser aplicados de forma direta ou indireta. Na primeira, pode ou não haver o contato da moxa com a pele. Nesse caso, o chumaço de artemísia no tamanho de grão de feijão é fixado na pele e queimado até o fim. Como há risco de queimaduras, esse tipo de método é pouco adotado, pois o objetivo da técnica não é provocar dor. O mais comum é que o terapeuta aproxime o bastão da pele até uma distância em que o calor seja tolerável pelo paciente.

A aplicação indireta é mais utilizada com a moxa em formato de cone. Entre a pele e o preparo da artemísia são colocadas fatias de alho, gengibre ou camadas de sal para potencializar a eficácia da técnica. Veja abaixo os principais usos e indicações:

GENGIBRE – síndrome de superfície, vômito por síndromes de frio do estômago, tosse por síndrome do frio, remoção de toxinas, cólicas e diarréias.

ALHO – neurodermites, furúnculos, diarréia, verminose e artrites.

SAL – empachamento, epigastralgia, dificuldade para urinar, retenção de muco no peito.

 

LAMA AMARELA – recomendada para disfunção do baço e estômago.

 

No tempo da pedra

Segundo os registros históricos, a técnica de moxabustão foi criada no norte da China e largamente utilizada em outros países asiáticos. A forma mais primitiva do método data de cerca de 10 mil anos atrás, quando se descobriu que as pedras aquecidas aliviavam as dores, quando encostadas em certas regiões do corpo. Com o passar do tempo, percebeu-se que era nas áreas menores que se concentrava a dor e bastava aquecê-las para obter um melhor resultado. Para isso, as pedras mais pontudas mostraram-se mais eficientes. “Daí para a agulha foi um passo”, explica o médico acupunturista Lo Sz Hsien. Além disso, uma série de outros elementos foram experimentados, como as ervas, entre elas, a artemísia, reconhecida como a mais eficaz para esse tratamento há aproximadamente 20 séculos. Foi a planta que deu origem ao termo moxabustão: em japonês, a palavra “moxa” significa artemísia e “bustão”, queima de uma planta.

Serviço

Associação Médica Brasileira de Acupuntura – AMBA
Tel.: (11) 5572 1666
Site: www.amba.org.br

Instituto Tacheng – Dr. Lo SZ Hsien
Tel.: (11) 5531-1400
E-mail: losz@terra.com.br

Instituto de Yoga e Terapias Aurora
Tel.: (21) 2205-1570
Site: www.institutoaurora.com.br

Ortomédica, Ortopedia e Traumatologia S/C Ltda.
Tel.: (11) 6128-0144
E-mail: ortomedica@uol.com.br

Shiozawa Shiatsu
Tel.: (11) 3887-6279 / 3887-1177
Site: www.shiozawashiatsu.com.br

Fonte: Triada.com.br