GESTAÇÃO: DO PRIMEIRO AO NONO MÊS

GESTAÇÃO: DO PRIMEIRO AO NONO MÊS

GESTAÇÃO: DO PRIMEIRO AO NONO MÊS

Conheça e acompanhe de perto as principais etapas da vida do bebê: desde quando ele é ainda uma sementinha até o momento em que ele vê o mundo pela primeira vez

 

Texto • Erica Franquilino
 

Você alisa a barriga, faz carinho, conversa com ele e imagina como será sua carinha. Mas como está seu nenê nesse exato momento? Talvez tirando uma soneca, na paz de seu útero... No decorrer dos 280 dias dessa extraordinária aventura, vale curtir cada momento, saber quando o bebê começa a abrir e fechar as mãos, piscar os olhinhos, reconhecer o ritmo da sua respiração, seus batimentos cardíacos, sua voz. Para ajudar a responder a algumas das principais dúvidas que acompanham as mães durante o período de gestação, trouxemos um painel com informações importantes sobre a evolução do bebê neste período. 

Embora o mais preciso – sob o ponto de vista do acompanhamento médico – seja dividir a gestação em semanas, oferecemos aqui uma visão geral desse passo a passo, dividindo as informações mês a mês e destacando as semanas mais decisivas. “O mês lunar tem quatro semanas, mas o mês convencional tem quatro semanas e meia. Por isso, uma gestação completa tem 280 dias ou 40 semanas”, explica Dr. Nelo Manfredini Neto, obstetra há 23 anos, que trabalha no Hospital Brigadeiro, na cidade de São Paulo.

 

 

1º mês – E tudo se inicia em um encontro...

...do óvulo com o espermatozóide, que dará origem ao embrião. Dá-se então, o momento da fecundação. Depois de aproximadamente uma semana, ocorre a implantação: o embrião “gruda” no útero e por lá faz seu ninho, no fenômeno chamado de nidação. Durante esse período, é comum que algumas mulheres tenham um pequeno sangramento – às vezes, confundido com menstruação – mas que em nada prejudica a gestação.

Nessas primeiras semanas, tem início a formação do tubo neural, que dará origem ao cérebro e ao sistema nervoso. Começam a ser formados o coração, o tubo digestivo, os órgãos dos sentidos e as extremidades, onde irão nascer braços e pernas. Todas essas partezinhas são como esboços, mas já há uma diferenciação celular que levará ao desenvolvimento dos órgãos. Está tudo lá. O embrião mede cerca de 0,5 cm e pesa menos de 1 g nesse período. Por volta da 3ª semana, começa também a se formar a estrutura do que será a placenta, o cordão umbilical e a bolsa das águas.

 

2º mês – De embrião a feto

Os batimentos cardíacos são perceptíveis ao exame de ultrassonografia. Os brotos dos bracinhos e perninhas estão em desenvolvimento, os ouvidos também estão em formação. A cabeça começa a ser definida com mais clareza, assim como a região do pescoço. Nesta altura, já começam a se formar as pálpebras. As células nervosas se multiplicam muito rapidamente, a cabeça fica desproporcional ao tronco. A língua começa a crescer, assim com os futuros dentinhos, no interior das gengivas. O bebê começa a fazer os primeiros movimentos na bolsa amniótica, mas a mãe não percebe. A fase de embrião se encerra quando ele atinge a 8ª semana. Seu herdeiro agora é um feto com cerca de 3 cm.

 

3º mês – Desenvolvimento a todo vapor

Ele abre e fecha a boca e as mãos, suga o líquido amniótico e o expele quando faz xixi. Ao final desse período, já é possível escutar o coração com um aparelho chamado sonar. Os dedos das mãos e dos pés se separam, começam a surgir unhas pequeninas. Por volta da 12ª semana, tem início a ossificação, a definição anatômica dos órgãos sexuais e o surgimento de pêlos.

 

Início delicado

O primeiro trimestre merece toda atenção. “Esse cuidado é mais intenso por volta da 5ª, 6ª e 7ª semanas, período no qual estão se formando os brotos dos membros superiores e inferiores... É uma fase muito delicada”, afirma o médico Nelo Manfredini Neto.

 

 

4º mês – Enfim, o sexo do bebê

São semanas de intensa movimentação. O bebê se mexe e “dá até cambalhotas”, diz dr. Nelo. Os genitais estão bem diferenciados. É chegada a hora de descobrir o sexo do bebê! A cabeça ainda é um pouco desproporcional em relação ao corpo. Sob a pele fina, ele começa a acumular gordura. Na 16ª semana, se for uma menina, os ovários já se localizam na pelve, com todos os óvulos que ela terá ao longo da vida.

 

5º mês – Momentos de sono e vigília

Desde o finzinho do quarto mês, a mãe nota mais facilmente a movimentação do bebê, que agora atinge cerca de 500g. Ele já chupa o dedo, consegue piscar e pode soluçar de vez em quando, enquanto se desenvolve o diafragma. Os sistemas circulatório, digestivo e urinário funcionam em harmonia. Ele já alterna períodos em que está acordado a outros em que prefere se aconchegar e dormir. A partir da 19ª semana,  consegue perceber ruídos do organismo da mãe, como a respiração, os batimentos cardíacos e a voz. Na 20ª semana, ele sente mais nitidamente a claridade, o calor, o frio e se movimenta voluntariamente.

 

6º mês – Percepção dos sons

Começa a percepção de ruídos externos e as primeiras reações. Nessa fase, ele gosta de brincar com os dedos e tem o corpo coberto por pêlos fininhos. O sistema respiratório ainda precisa amadurecer, mas já há possibilidade de sobrevida no caso de um parto prematuro. O corpo está mais proporcional, os dedos já têm impressões digitais. Os olhos passam a responder à luz. Ao final desse período, o bebê chega a cerca de 1 kg. Cabelos, unhas, sobrancelhas, orelhas... Está tudo no lugar. Na 24ª semana ele já é o nenê que você imagina.

 

7º mês – Crescer e engordar

Aqui, o bebê já distingue sabores, como entre o doce e o amargo. As pálpebras começam o movimento de abrir e fechar, a pele fica mais lisa e os cabelos mais espessos. Ele continua crescendo e engordando. Boa parte dos bebês já pode definir a posição do parto: de cabeça para baixo, a posição cefálica. O bebê chega a pesar 1kg e meio e medir, aproximadamente, 36 cm. Na 28ª semana os órgãos estão todos formados, apenas em aperfeiçoamento. Ele já se coloca na posição de nascimento.

 

8º mês – Interação mamãe-bebê

O pequenino ser chega a pesar entre 2kg e 2,5 kg. A posição já está definida. Os olhos distinguem entre claro e escuro. A audição está mais refinada e ele reconhece a voz da mãe. “Acredita-se que a mãe com algum stress acaba passando para a criança um sinal de que algo não está bem... e isso o incomoda”, comenta Dr. Nelo. Portanto, se a influência vale para os períodos de tensão, por que não aplicá-la aos de relaxamento? Momentos de paz, cantigas e bate-papo são bem-vindos. A maioria dos órgãos já resiste à vida fora do útero, menos os pulmões, que ainda precisam amadurecer mais um pouquinho. Na 32ª semana, os sistemas respiratório e digestivo estão quase 100% funcionais.

 

9º mês – É chegada a hora

O peso segue aumentando aceleradamente: o bebê ganha de 25g a 30g por dia e, ao nascer, já terá alcançado cerca de 3kg A cabecinha começa a comprimir a bexiga da mãe e, na 38º semana, o desenvolvimento pulmonar está completo. A pele está limpa, rosada e a distribuição dos cabelos é uniforme. Durante todo esse tempo é como se o feto estivesse num aquário, recebendo tudo o que precisa – inclusive oxigênio – por meio do cordão umbilical. No momento em que nasce, seus pulmões se expandem e o bebê busca o ar pela primeira vez. Nesse instante, vem o tão esperado choro, considerado, inclusive, um sinal de vitalidade. É o fim de uma etapa fascinante e o início de uma outra cheia de surpresas.

Admirável mundo novo

O encontro de mãe e filho é um momento único. Para os dois. Mas, você sabe quais são as primeiras impressões do bebê assim que chega ao mundo?

Ao nascer, ele não tem uma visão definida. Enxerga apenas vultos e distingue entre claro e escuro. Como destaca o oftalmologista Fernando Ponce Sant’anna, a retina do recém-nascido ainda não está completamente definida e os olhinhos não têm grande capacidade de foco. A distância ideal para ver um objeto fica entre 20cm e 35cm – o que equivale à extensão entre o rosto da criança e o da mãe, no momento da amamentação.

Vários fatores neurológicos estão conjugados na descoberta desse novo mundo. O cheiro da mãe, o tato, a audição... Os cinco sentidos estão trabalhando juntos nesse processo de reconhecimento das pessoas.

Nessa aprendizagem, há alguns momentos pontuais: o primeiro se dá por volta dos seis meses, período em que ocorre o chamado “reflexo de fixação”, quando os olhinhos param de “borboletear”. A partir dessa etapa, as evoluções são grandes e o bebê começa a desenvolver uma visão mais nítida. “É bom estimulá-lo com objetos coloridos, quadriculados, que façam uma associação de imagem e volume...”, explica o oftalmologista. A mácula, região da retina que ajuda a visualizar detalhes e cores, já está bem avançada a partir dessa idade. De acordo com o oftalmologista, a visão comparável a de um adulto chegará até que ele complete um ano de vida.

 

Em tempo: dos seis meses aos cinco anos de idade a criança está “abastecendo seu computadorzinho”, como ressalta Sant’anna. É o período no qual ela desenvolve a maturidade sensorial, concluída por volta dos cinco ou seis anos de idade.

Fonte: Triada.com.br