ENTRE EM CONTATO COM A NATUREZA

ENTRE EM CONTATO COM A NATUREZA

ENTRE EM CONTATO COM A NATUREZA

Seja para praticar um esporte radical ou apenas relaxar, quietinha, escapar do caos da cidade grande pode render bem-vindas doses de energia. Invista nessa!

 

Texto • Carine Portela e Daniel John Furuno
 

Abandonar a vida urbana e se aventurar em paraísos intocados, mesmo que seja só nas férias e finais de semana, pode trazer mais qualidade para a sua vida do que você imagina. Os benefícios vão muito além do bem-estar que só alcançamos quando enxergamos as estrelas, ouvimos o barulho dos bichos e bebemos água limpa da fonte (como se isso já não fosse motivo suficiente para você fechar essa página e correr para o meio do mato já).

O contato frequente com os elementos naturais transforma a maneira de encarar o dia a dia, desenvolvendo seu potencial para viver de maneira mais natural e feliz.

Para resgatar a conexão com o meio que um dia foi nosso habitat natural, em primeiro lugar, é importante que se queira aprender alguma coisa. A natureza ensina apenas para quem está aberto ao aprendizado – não vale reclamar dos mosquitos, da falta de conforto, do banho gelado, da saudades da televisão. Caso contrário, você volta para casa exatamente como saiu.

É mais fácil tirar proveito da situação quando o propósito é a prática de alguma atividade física, como os chamados esportes de aventura (trekking, alpinismo, mountain biking, canoagem, vôo-livre etc), que ajudam a vencer medos, superar limitações e ganhar autoconfiança. E não é preciso ser “radical” para enfrentá-los, pois nem sempre estão relacionados com adrenalina e perigo. O importante aqui não é desafiar limites, mas sim ter vivências que as cidades não podem proporcionar.

 

Pequenas lições do dia a dia

Helena Artmann, 35, alpinista e balonista, garante que se tornou menos nervosa e briguenta porque aprendeu, com a experiência na montanha, que não tem nem nunca terá controle sobre tudo o que gostaria. “Quando eu estava no meio do mato e chovia, ficava irritada e ansiosa. Depois de tomar muita chuva comecei a entender que meu mau humor não ia fazer parar de chover.” A partir daí, Helena levou esse aprendizado para o cotidiano. “Fila de banco, por exemplo, de que adianta ficar nervosa se você vai ter de esperar? Existem coisas que são chatas mesmo, assim é a vida.”

A ideia não é passar a gostar de situações desagradáveis, mas sim entender que reclamar é inútil. Se há algo útil a ser feito é se prevenir. Ter sempre uma roupa seca na mochila e proteger bem a bagagem com sacos impermeáveis pode ser a solução para o caso de cair aquele toró durante a caminhada. Lembrar-se de escolher um bom livro antes de ir ao banco pode ser a saída para aproveitar o tempo de espera de uma maneira agradável e proveitosa.

É verdade que saber que o controle das coisas não está nas nossas mãos muitas vezes não é o suficiente para trazer calma diante de pequenas “tragédias”, como o pneu furado, o trânsito caótico, a semana que não acaba para você ter logo alguns momentos de paz. As situações são comuns, mas geram estresse porque, normalmente, queremos que tudo siga de acordo com o nosso próprio ritmo.

“Em cidades como São Paulo, não vemos o céu, não sabemos qual é a lua, esquecemos o tempo que as coisas têm”, analisa a professora de yoga Adriana Braga, 40. “A natureza te dá essa noção. O solo, o céu, as ondas, as árvores, tudo tem um ritmo e um ciclo: nascimento, permanência, término”.  Segundo Adriana, a reaproximação com esses elementos alivia tensões e diminui o estresse, porque “entender esses conceitos faz você respeitar e fluir de acordo com o ritmo das coisas.”

Do que você precisa para viver?

Depois de acordar para o tempo, é hora de perceber o valor que as coisas têm. O que é realmente essencial? O que é supérfluo? Adriana Braga conta como descobriu que o indispensável podia caber na palma da mão. “Quando você vai para a natureza selvagem tem de carregar nas costas tudo o que vai usar, por isso avalia bem a importância e o peso de cada item. Mesmo assim, quando termina,  percebe que não usou metade do que levou.” Segundo a professora, uma descoberta como essa não é facilmente esquecida: “você acaba trazendo para a cidade essa forma de vida mais simples, mais minimalista”.

Adriana Gribel, 38, empresária do ramo de planejamento imobiliário que pratica montanhismo há quase 10 anos, concorda que, quando somos obrigados a deixar de lado o excesso de recursos da vida urbana, percebemos que eles fazem muito pouca falta. “Nas cidades nós somos engolidos pelo consumismo e esquecemos que precisamos de muito pouco para ser feliz”, analisa.

Em situações adversas, essencial mesmo é a sobrevivência e a necessidade de se preocupar com esse “detalhe” também ensina. “Não dá para ser falso quando sua vida está em jogo. Se você tem medo de alguma situação, por exemplo, não pode fingir coragem” comenta Adriana Gribel, que acredita que, por esse motivo, descobrir a natureza significa descobrir a si mesmo, despir máscaras, deixar de lado truques e subterfúgios.

Corpo desperto, mente relaxada

Se a natureza te atrai, mas a simples ideia de fazer uma caminhada ecológica ou qualquer outra atividade ao ar livre já te deixa cansada, não é preciso desanimar. Adriana Braga conta que se surpreende com a quantidade de coisas que consegue fazer quando não está no ambiente urbano. “É nítido como a natureza te recicla, faz encontrar energia mesmo depois de fazer atividades físicas”, diz. “Além disso, há o descanso mental, que faz esquecer os problemas, dormir bem... o efeito é altamente relaxante”, completa Helena Artmann.

 

Quando temos vitalidade e relaxamento ao mesmo tempo, surge uma ótima oportunidade de meditar. Longe do barulho da cidade, fica mais fácil se concentrar e conseguir enxergar a si mesmo. Quem dá a dica é Adriana, a professora de yoga que tem muito mais facilidade para deixar a mente vazia quando se refugia em um local que tenha mato, ar puro e silêncio. O que ela encontra nesses momentos é nada menos que a maior lição da natureza: o equilíbrio perfeito.

 Depoimentos

 

“Paulistano típico, eu respiro monóxido de carbono como todos os 10 milhões de habitantes da cidade. Mas sempre fui ligado à natureza, meu pai morava num sítio. Depois de formado em Engenharia da Qualidade Ambiental, percorri o litoral e o interior do país em expedições. Quando passei a dar palestras e a escrever sobre essas viagens, percebi que muitas pessoas tinham vontade de conhecer os lugares que visitei. Foi então que decidi montar uma operadora de ecoturismo. Existe muita gente que sente a necessidade de entrar em contato com a natureza. E, muitas vezes, são pessoas que nunca tinham parado para observar o pôr-do-sol ou que sempre acharam que só precisavam de um celular e de um computador com acesso à internet para sobreviver. Certa vez, tive uma cliente que participou de nosso roteiro de um dia na Serra da Cantareira (zona norte de São Paulo). Ela nunca sequer havia imaginado que pudesse existir uma reserva de Mata Atlântica dentro da própria cidade. Ela ficou surpresa e maravilhada.”

Jurandir Lima é diretor da operadora de ecoturismo Trilhas & Trilhas

FAÇA UMA VISITA:
Trilhas & Trilhas
Tel.: (11) 6231-2933  
Site: www.trilhasetrilhas.tur.br

 

Bem-estar a galope

“Tenho 28 anos e há cinco sou instrutor de equitação. Quando era adolescente, morava na capital paulista. Nos finais de semana, eu ia com minha família para um sítio e visitava uma hípica, onde tive meus primeiros contatos com cavalos e montaria. Depois de algum tempo, decidimos montar nosso próprio centro hípico. Quem está de fora talvez não perceba, mas para quem pratica equitação, o cavalo se torna um de seus melhores amigos. E o animal também se apega muito à pessoa, mais até do que um cachorro ou outro animal de estimação. Afinal, cavalo e cavaleiro estão praticando uma atividade em conjunto. Pela minha própria experiência e também pelo que tenho observado em nossos alunos, é possível constatar que o contato com o animal gera inúmeros benefícios: melhora o convívio social, aumenta a autoestima e ajuda até na memorização e na concentração. Outra prova da força desse contato é o sucesso da equoterapia, principalmente no tratamento de crianças portadoras de deficiência física ou mental.”

Rogério Rodrigues Rocha é instrutor de equitação do Centro Hípico Guararema

FAÇA UMA VISITA:
Centro Hípico e Equoterapia Guararema 
Tel.: (11) 4693 2177 / 4693 3982
Site: www.centrohipicoguararema.com.br

 

Sementes da paz

“Formei-me em agronomia no Rio Grande do Sul e passei a me dedicar também à educação ambiental e ao paisagismo. Mudei-me para São Paulo, onde comecei a lecionar. Decidi-me por essa carreira ainda criança, pois, apesar de ter sido criado numa metrópole, sempre fui ligado à natureza, sempre curti o quintal de casa. É provado cientificamente que, quanto mais nos afastamos da natureza, mais sofremos com o estresse e outros males da vida moderna. Tento passar para os alunos que nós, seres urbanos, precisamos voltar a ter intimidade com a natureza, nem que seja através de um vasinho de planta. Cuidar de uma planta requer os mesmos cuidados que cuidar de um animal. Mas é preciso ainda mais sensibilidade, já que as respostas que recebemos de uma planta são muito mais sutis. Nesse sentido, nossos alunos se tornam ‘sementes’, pois esse refinamento em seu comportamento acaba contagiando as pessoas à volta deles. Tanto assim que, frequentemente, temos novos interessados nos cursos, que são trazidos por outros alunos.”

Cláudio Carvalho Tavares é professor da Escola Paulista de Paisagismo

FAÇA UMA VISITA:
Escola Paulista de Paisagismo
Tel.: (11) 5052-8922
Site: www.epp.etc.br

Aventure-se você também

Basta escolher seu estilo, arrumar a mochila e pronto: eles levam você para redescobrir a natureza.
 

ZEN

A caminhada filosófica tem como objetivo resgatar o sentimento de unidade do homem com relação ao meio-ambiente. Enquanto passeia pela mata, você é convidado a refletir sobre a existência.

QUEM LEVA: Associação Palas Athena
Tel.: (11) 3266-6188
Site: www.palasathena.org
 

VIAJANTE

Quem opta pelo ecoturismo conhece lugares de rara beleza natural, pratica esportes de aventura, entra em contato com culturas diferentes e ainda pode escolher por fazer tudo isso sem abrir mão do conforto.

QUEM LEVA: FreeWay Adventures
Tel.: (11) 5088-0999
Site: www.freeway.tur.br
 

EXPEDICIONÁRIO

Para quem busca mais independência, mas ainda não se sente à vontade para encarar a estrada sozinho, uma opção pode ser se juntar a uma das expedições do Clube da Aventura. A cooperativa forma grupos e promove reuniões, cursos, workshops, treinamentos, tudo o que for necessário para o sucesso da expedição proposta.

QUEM LEVA: Clube da Aventura
Site: www.clubedaaventura.com.br

 Fonte: Triada.com.br