A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA EM NOSSA VIDA

A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA EM NOSSA VIDA

A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA EM NOSSA VIDA

Responda rápido: qual sua canção predileta? O que ela te faz lembrar e sentir? Você já parou para pensar nisso? Embarque com a gente nesta reflexão

 

Texto • Geisa D’avo
 

Nunca conheci quem não gostasse de música. Do sertanejo ao rock, da música clássica ao samba, seja qual for o estilo, o fato é que todos possuem fiéis adeptos – tão fiéis que nem sempre conseguem encontrar, em qualquer outro ritmo, os mesmos elementos que os levam a se encantar por aquele de sua preferência. Mas a razão de ser de nossas predileções por um determinado estilo ou canção pode estar além de nossa capacidade de compreendê-la. Afinal, como entender cada uma das reações que melodias e letras são capazes de provocar?

Psicólogos e terapeutas, talvez, pudessem elaborar uma teoria conclusiva. Para mim, uma mera jornalista, o significado das canções tem a ver, essencialmente, com o sentimento que despertam. Como aquela música que tocava em minha casa aos domingos, enquanto minha mãe preparava a comida e acompanhava os versos com sua voz grave e que, hoje, me faz sentir saudades da infância. Ou ainda, aquela outra que ouvia repetidas vezes na pré-adolescência, quando estava prestes a tomar a decisão mais importante da minha vida – que, naquela época, quase sempre tinha a ver com sair ou não em um fim de semana ou fazer ou não as pazes com a melhor amiga.

O que dizer, então, das letras de Renato Russo que, no ápice das minhas maiores frustrações adolescentes, me levavam a crer que ninguém no mundo conseguiria ser mais triste do que eu? Ou, por fim, as canções de Ana Carolina que, já na fase adulta, me mostraram como expressar e extravasar o término de um relacionamento com todas as aflições, angústias, raivas e mágoas decorrentes do processo.

Como disse, talvez seja quase impossível explicar por que tais canções foram capazes de me atingir, me mudar, me deixar aos prantos ou me trazer a convicção de que determinada situação seria superada. A grande questão, na verdade, é que a partir do momento em que me marcaram, elas invariavelmente se transformaram em uma espécie de trilha sonora de cada passo importante de minha vida. Trilha esta que eu, apenas eu, serei capaz de compreender e relembrar.
 

O ritmo da vida

Que atire a primeira pedra aquele que nunca se emocionou com alguma melodia. Aquele que nunca teve absoluta certeza de que uma letra foi feita sob medida para sua vida. Aquele que, ao assistir ao show de sua banda ou cantor favorito, não teve a sensação de que algo de sobrenatural estava acontecendo.

Uma simples sequência de acordes pode, sim, ser capaz de alterar nossa condição, qualquer que seja ela. Pode, por um instante, nos tirar da alegria e nos carregar de volta para uma lembrança dolorida do passado. Pode, por um instante, nos devolver o sorriso no rosto e nos encorajar diante dos altos e baixos que a vida insiste em nos pregar. Pode nos colocar em contato com as partes mais escondidas dentro de nós.

Na batida do surdo, no soar dos violinos, na viola estridente ou na voz dolorida do cantor podemos encontrar pensamentos, sentimentos, lembranças e vontades que, sozinhos, não seríamos capazes de detectar.

Mais do que isso, para os tantos já tão desacostumados a dar vazão às emoções e tão habituados à racionalidade do dia a dia, a música pode ser a válvula de escape que os levará para fora daquilo que os sufoca. Ou ainda, para os emotivos de plantão, será o instrumento de expressão das sensações aparentemente tão indescritíveis.

E é assim, justamente por tudo isso, que as canções se tornam nossas grandes aliadas. Porque, no decorrer da vida, elas passam a ser uma espécie de ponto final a partir do qual delimitamos precisamente a distância entre aquilo que já fomos e aquilo em que nos transformamos.